Osteopatia Nas Disfunções Do Assoalho Pélvico

Osteopatia Nas Disfunções Do Assoalho Pélvico

As disfunções do assoalho pélvico estão presentes em diversas patologias, nomeadamente na incontinência urinária e anal, no prolapso de órgãos pélvicos, nas anormalidades sensórias e de esvaziamento do trato urinário inferior, nas disfunções defecatórias, sexuais e diversas síndromes de dor crônica(Baracho, 2012).
Estas patologias podem ser causadas por diversos fatores, tais como idade, desequilíbrios hormonais, sedentarismo, traumatismos, obesidade, constipação intestinal, doenças crônicas (como a diabetes e doenças neurológicas), antecedentes familiares, uso de drogas que atuam no trato urinário inferior, consumo de cafeína, tabagismo, e exercícios físicos rigorosos (Higa, Lopes, & Reis, 2008).
Além das patologias referidas anteriormente, a deficiência da biomecânica articular do sistema lombopélvico, as aderências fasciais externas e internas, a má postura corporal (promove mudanças no posicionamento visceral, afetando sua mobilidade e função, além de promover um desequilíbrio das pressões das cavidades do corpo), e o desequilíbrio muscular (relaxamento de alguns músculos e tensão em outros) podem afetar o apoio visceral, podendo resultar na fraqueza do pavimento pélvico (Dangaria, 1998; Chen et al., 2005; Stone, 2007; Ricard, 2009).
Lee e Lee (2004) afirmam que as forças que atuam no corpo são transferidas de forma eficaz através das articulações quando estas estão adequadamente alinhadas, de tal modo que a compressão e as forças de tensão distribuem-se igualmente entre todas as estruturas. O desalinhamento pode criar estresse excessivo em alguma estrutura (tensão ou compressão), ou evoluir para lesão do tecido (inflamação, dor e fraqueza).
As dores por compressão do nervo pudendo, responsável por grande parte das dores pelviperineais crônicas, pode ser causada por fatores mecânicos, como contraturas dos músculos do assoalho pélvico, piriforme e/ou obturador interno, alterações da mobilidade articular na articulação sacroilíaca, na pelve, na coluna lombar, assim como discrepância no comprimento dos membros inferiores (Pool-Goudzwaard, 2003). Portanto, a hipertonia dos músculos do assoalho pélvico (aumento de tônus e da atividade elétrica em repouso) pode ser fator de compressão do nervo pudendo e causa da dor pélvica. Por sua vez, a hipotonia dos mesmos grupos musculares pode diminuir as sensações excitatórias durante as relações sexuais ou ser o fator causal das disfunções da continência (Baracho, 2012).
Desta forma, torna-se pertinente avaliar a existência, ou não, de um possível desequilíbrio das articulações pélvicas e da capacidade de gerar tensão da musculatura do assoalho pélvico através da análise musculo-esquelética global, especialmente a pélvica, no intuito de procurar observar potenciais mecanismos lesivos que estejam afetando o desempenho desta região.
A Osteopatia configura-se como possível terapêutica complementar no tratamento de alterações biomecânicas da pelve, pois através do seu reposicionamento articular, muscular, fascial e visceral pode-se conferir uma maior mobilidade podendo propiciar um equilíbrio nas tensões miofasciais dentro da cavidade abdominal e dos órgãos pélvicos e, consequentemente, favorecer suas funções, bem como a melhoria da atividade dos músculos do assoalho pélvico (Chen et al., 2005; Pel, Spoor, Pool-Goudzwaard, Dijke & Snijders, 2008; Hebgen, 2011; Franke & Hoesele, 2013).
Para de Almeida, Sabatino & Giraldo (2010), as manipulações osteopáticas ao serem aplicadas sobre a articulação que se encontra com uma mobilidade diminuída, produz uma separação brusca das superfícies articulares, surpreende o sistema nervoso central provocando um black out sensorial local. Assim, o estiramento da cápsula estimula os receptores de Pacini, que através das fibras aferentes, transmitem informação sensitiva ao corno posterior espinhal, ocorrendo à inibição dos motoneurônios gama. Esta manobra poderá resultar em uma inibição do espasmo muscular que pode ser responsável pela disfunção articular. A manipulação atua sobre a atividade dos neurónios motores α, permitindo a normalização do tônus muscular, tendo como resultado a melhora da intensidade de contração muscular.
Muitos autores referem que a manipulação permite a diminuição da dor, aumenta a mobilidade articular, restaura a função articular, normaliza o tônus muscular, melhora o processamento somatossensorial produzindo assim uma melhora do controle motor. Doenças como incontinência urinária, bexiga irritável, dor pélvica crônica, dispareunia, síndrome do colón irritável e constipação são beneficiadas com as técnicas de manipulação (Tettambel, 2005; Ricard, 2009; de Almeida, Sabatino, & Giraldo, 2010).
Contudo, embora a lógica possa supor a eficácia da manipulação osteopática no tratamento de disfunções do assoalho pélvico, ainda existe uma carência de evidências científicas de boa qualidade metodológica que suportem todo este conceito, tornando importante a realização de pesquisas bem fundamentadas para verificar todas essas hipóteses.
Referências:
Baracho, E. (2012). Fisioterapia Aplicada À Saúde Da Mulher (5 edição). Rio de Janeiro: Guanabara Koogan.
Higa, R., Lopes, M. H. B. de M., & Reis, M. J. dos. (2008). Risk factors for urinary incontinence in women. Revista Da Escola de Enfermagem Da USP, 42(1), 187–192. https://doi.org/10.1590/S0080-62342008000100025
Dangaria, T. (1998). A case report of sacroiliac joint dysfunction with urinary symptoms. Manual Therapy, 3(4), 220–221. https://doi.org/10.1016/S1356-689X(98)80051-9
Chen, C.-H., Huang, M.-H., Chen, T.-W., Weng, M.-C., Lee, C.-L., & Wang, G.-J. (2005). Relationship between ankle position and pelvic floor muscle activity in female stress urinary incontinence. Urology, 66(2), 288–292. https://doi.org/10.1016/j.urology.2005.03.034
Stone, C. (2007). Visceral and Obstetric Osteopathy. Churchill Livingston/Elsevier.
Ricard, F. (2009). Tratado de osteopatia visceral y medicina interna / Treaty of Visceral Osteopathy and Internal Medicine: Sistema genitourinario / Genitourinary system. Ed. Médica Panamericana.
Pool-Goudzwaard, A. (2003). Biomechanics of the Sacroiliac Joints and the Pelvic Floor. Retrieved from https://repub.eur.nl/pub/51254/
Pel, J. J. M., Spoor, C. W., Pool-Goudzwaard, A. L., Dijke, G. A. H. van, & Snijders, C. J. (2008). Biomechanical Analysis of Reducing Sacroiliac Joint Shear Load by Optimization of Pelvic Muscle and Ligament Forces. Annals of Biomedical Engineering, 36(3), 415–424. https://doi.org/10.1007/s10439-007-9385-8
Hebgen, E. U. (2011). Visceral Manipulation in Osteopathy. Thieme. Franke, H., & Hoesele, K. (2013). Osteopathic manipulative treatment (OMT) for lower urinary tract symptoms (LUTS) in women. Journal of Bodywork and Movement Therapies, 17(1), 11–18. https://doi.org/10.1016/j.jbmt.2012.05.001
Tettambel, M. A. (2005). An Osteopathic Approach to Treating Women With Chronic Pelvic Pain. The Journal of the American Osteopathic Association, 105(suppl_4), S20–S22.
de Almeida, B. S. N., Sabatino, J. H., & Giraldo, P. C. (2010). Effects of high-velocity, low-amplitude spinal manipulation on strength and the basal tonus of female pelvic floor muscles. Journal of Manipulative and Physiological Therapeutics, 33(2), 109–116. https://doi.org/10.1016/j.jmpt.2009.12.007

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