Osteopatia no CrosFit

Osteopatia no CrosFit

Porque a necessidade de um fisioterapeuta dentro do box ou em competições de Crossfit?

Fisioterapeutas são especialistas em movimento com uma compreensão profunda da anatomia humana, cinesiologia e biomecânica e disfunções musculoesqueléticas e podem ter ferramentas necessárias para promover melhor o desempenho nos padrões de movimento para prevenir e tratar lesões.
A relação entre fisioterapia e CrossFit precisa de uma atenção importante. Existe uma discussão muito grande sobre que as atividades realizadas no Crossfit podem ou não lesionar. Na verdade, todos os esportes tem risco de lesão e se compararmos, no estudo de Montalvo et al (2017) referem que o número de lesões no Crossfit é de 2,3/1000 horas; 3,3 lesões/1000 horas no treinamento de levantamento de peso no halterofilismo (Calhoon e Fry,1999); 5,45 lesões/1000 horas de treino em ginastas (Kolt e Kirkby,1999) e 4,4 lesões/1000 horas de jogo/treino por atleta no futebol (Rodrigo et al, 2007).
Na verdade, é preciso antes distinguir o que é fadiga e lesão!
Fadiga muscular é um acúmulo de metabólitos no sangue que, em concentrações elevadas, diminui a capacidade contrátil do músculo. Maté-Muñoz et al (2017) analisaram o nível de fadiga dos membros inferiores em diferentes WOD’s (workout of day) e observaram que os treinos ginásticos e de levantamento de peso tiveram um maior nível de lactato sérico na corrente sanguínea. Já a lesão muscular e/ou articular ocorre a perda da função juntamente com alterações morfológicas ou histoquímicas do tecido impedindo de treinar, competir ou trabalhar.
Desta forma, as causas de lesões podem ocorrer por falha na execução dos movimentos devido a fadiga (alta intensidade e volume, pequeno intervalo de descanso e mais horas diárias de treino), qualidade de sono, nível de estresse do atleta, vulnerabilidade do sistema imunológico, menor mobilidade articular, histórico de lesões anteriores e aumento de massa corporal, além de que quanto menos treinado for, mais fácil será de ocorrer uma lesão ou ter lesões mais graves. Outro fator é que não são os movimentos realizados no Crossfit que são culpados, mas as assimetrias físicas e as fraquezas subjacentes que são inerentes a cada um de nós.
A conscientização do praticante como períodos de descanso entre treinos, progressões graduais durante os treinos, a supervisão direta dos treinadores (participação e envolvimento do coach dando ênfase na técnica correta), avaliações individuais por profissionais da saúde antes de iniciar no Crossfit e pré-participação em competições são fatores que podem minimizar a ocorrência ou a gravidade da lesão. Além disto, é importante dizer que para iniciar no Crossfit exige-se um treino de base dos movimentos e começar com os exercícios adaptados até aprender a técnica e progredir de maneira segura.
Durante as competições muitos procuram o serviço de fisioterapia entre as provas ou após finalizar a competição. As sintomatologias relatadas quase sempre são dependentes dos movimentos que são realizados durante as provas podendo ser fadiga muscular principalmente na panturrilha, lombar e ombro e, dependendo do esforço, e em menor número, pode apresentar atletas relatando dor articular. Observa-se que a maioria dos atletas tem preferência por liberação miofascial ou massagem profunda para liberar a musculatura e ajudar a drenar os metabólitos produzidos durante o esforço.
Observa-se a maior prevalência de lesões no ombro devido a realização de movimentos ginásticos ou de levantamento de peso olímpico (geralmente movimentos de alta repetição, intensidade e giro) colocando o ombro em movimentos extremos e em posição de risco, precisando ficarmos atentos em relação à estabilidade e mobilidade do ombro do praticante.
A ocorrência de dor lombar ocorre devido exercícios que exigem mais dos músculos estabilizadoresdo tronco como o agachamento, deadlift, clean e snatch, colocando estresse na coluna torácica e lombar, sendo que o fortalecimento e a conscientização da integração do bloco de força (Core abdominal) são importantes para evitar qualquer sintomatologia.
A fisioterapia dispõe de recursos para proporcionar um bom recovery, ou seja, uma recuperação rápida pós-treinos e pós competições! Recursos eletrotermofototerápicos, botas de compressão, crioimersão, osteopatia ou quiropraxia, massagem relaxante ou esportiva, exercícios corretivos de mobilidade, estabilidade e de fortalecimento (muitas pessoas não sabem como isolar os músculos ou identificar quais músculos são realmente fracos).
A osteopatia pode ajudar o praticante ou o atleta a melhorar suas disfunções de mobilidade ajudando a melhorar o movimento. Através de manipulações ou estalos, que são correções do movimento articular, consegue-se melhorar o macromovimento e restaurar e reequilibrar o posicionamento dos ossos e consequentemente, por reflexo de inibição regula o tônus muscular.
Mas atenção! Não é indicado realizar atendimento de recovery ou osteopatia antes dos treinos por um efeito imediato de inibição de tônus muscular. A não ser que logo após, realize exercícios de ativação muscular específico para o movimento que será realizado. E durante as competições o Recovery deve ser realizado com técnicas que aumentem a liberação dos metabólitos acumulados e que ajudem a melhorar a fadiga.
Por isso, para a prática do CrossFit precisa da interação entre o fisioterapeuta, o praticante e os coachs do box, sendo essencial para ajudar os atletas não só prevenir, mas identificar a causa da dor, avaliar a mecânica articular defeituosa, reconhecer as fraquezas e reeducar o corpo, tirando as compensações para funcionar adequadamente.
Referências:
Calhoon, G.; Fry, A. C. Injury rates and profiles of elite competitive weightlifters. Journal of Athletic Training, 34(3): 232-238,1999.
Gregory S Kolt, Robert J Kirkby. Epidemiology of injury in elite and subelite female gymnasts: a comparison of retrospective and prospective finding. Br J Sports Med, 33:312-318, 1999.
Mate-Muñoz, J.L.; Lougedo, J.H; Barba, M., Garcia-Fernandez P.; Garnacho-Castaño,M.V.; Dominguez, R. Muscular fatigue in response to different modalities of CrossFit sessions. PLoS ONE, 12(7):2017.
Eirale, C.; Gillogly, S.; Singh, G.; Chamari, K. Injury and illness epidemiology in soccer – effects of global geographical differences – a call for standardized and consistent research studies. Biol Sport. 34(3): 249–254, Sep 2017.

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